Trump anuncia suspensão de ataques contra Irão na esperança de um novo acordo de paz

Trump anuncia suspensão de ataques contra Irão na esperança de um novo acordo de paz

O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou esta madrugada, na rede social Truth, que os EUA e Israel concordaram em suspender os novos bombardeamentos, a pedido de Teerão e de outros países da região, desde que seja alcançado rapidamente um acordo.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Daniel Heuer - Reuters

O Irão e outros países do Médio Oriente pediram tempo para concluir um acordo que prevê a "reabertura imediata, completa e total" do Estreito de Ormuz e o "fim da ameaça nuclear iraniana", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.

"Com base neste pedido, concordei, para o benefício futuro do mundo e, da mesma forma, para a sobrevivência de um Irão bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível chegar rapidamente a um acordo", acrescentou.

Segundo Trump, Israel concordou em juntar-se aos Estados Unidos no compromisso de tentar concluir o acordo com o Irão para pôr fim à guerra.

Este anúncio surge pouco depois de os Estados Unidos terem instado os seus cidadãos a "considerarem abandonar" o Médio Oriente devido a uma possível "escalada" do conflito regional.

Segundo os meios de comunicação norte-americanos, Washington estava a considerar novos bombardeamentos em larga escala durante o fim de semana contra o Irão. A CBS News noticiou que os Estados Unidos e Israel estavam a preparar ataques conjuntos, visando refinarias de petróleo e centrais elétricas.

O anúncio de Trump ocorreu depois de uma chamada telefónica com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.
Príncipe herdeiro saudita apela à redução das tensões
Segundo a agência oficial saudita, SPA, o príncipe herdeiro “enfatizou a necessidade de priorizar o diálogo para reduzir as tensões, bem como a importância de aplicar todos os esforços para alcançar uma trégua".

O meio de comunicação Axios - órgão ao qual são passadas com frequência pela Casa Branca informações de fontes sob anonimato - revelou que Mohammed bin Salman, líder de facto do reino, manifestou a Trump preocupações quanto a uma potencial escalada do conflito com o Irão por parte dos EUA, citando uma fonte a par da discussão entre os líderes.

Segundo a mesma fonte, o príncipe herdeiro “insistiu para que Trump desarmasse a situação e se abstivesse de lançar os ataques”.

Os sauditas, de acordo com a fonte anónima da Casa Branca, manifestaram preocupação com a possibilidade de, caso os Estados Unidos atacassem as infraestruturas energéticas do Irão ou realizassem ataques em grande escala contra outras infraestruturas-chave, Teerão poderia responder com ataques às infraestruturas energéticas do reino e de outros países do Golfo.
“Não seremos apanhados de surpresa”
Este domingo, o ministro da Defesa do Irão, Majid Ibnal-Reza, disse que o país considera todas as ameaças dos adversários como "reais e credíveis", mesmo que sejam feitas no âmbito de uma “guerra psicológica”.

"Não seremos apanhados de surpresa nem permaneceremos passivos", disse, citado pela comunicação social estatal, acrescentando que o Irão usaria as ameaças como base para aumentar a sua prontidão militar, reforçar a dissuasão e melhorar as suas capacidades militares.

No sábado à noite, Teerão prometeu uma resposta decisiva caso a ofensiva prometida por Trump avançasse, acusando os EUA de alimentarem “a escalada das tensões”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, disse a altos funcionários turcos e paquistaneses, no sábado, que Teerão responderia decisivamente a qualquer "agressão" e discutiu as consequências de "ações desestabilizadoras" dos EUA, bem como as perspetivas de aumento da insegurança regional.

Araqchi disse ter informado o ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, que quaisquer ataques dos EUA e de Israel ou a participação de países da região em tais ações teriam uma "resposta proporcional". A guerra no Médio Oriente foi desencadeada a 28 de fevereiro por ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que retaliou com ataques de mísseis e drones na região.

Apesar de um memorando de entendimento assinado em meados de junho para abrir caminho a conversações de paz, novos ataques recíprocos ocorreram no início de julho.

A guerra expandiu-se recentemente para uma nova frente no Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, anunciaram um bloqueio aos portos sauditas e reivindicaram a responsabilidade por ataques a petroleiros e instalações do reino.

Numa reunião de gabinete na sexta-feira, Trump disse acreditar que os negociadores norte-americanos, incluindo o seu genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio, poderiam chegar a um acordo com o Irão.

Os riscos da continuação da ação militar dos Estados Unidos são elevados para Trump e para o Partido Republicano, que enfrentam eleições intercalares decisivas em novembro próximo.

c/agências
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